Sadako Sasaki nasceu durante a Guerra do Pacífico ou 2º Guerra Mundial. Sua família possuía uma Barbearia, e seu nome foi escolhido justamente por um cliente especialista em nomes que trazem sorte e saúde. Segundo ele, o nome Sadako a faria crescer forte e saudável.
No mesmo ano do nascimento da menina, seu pai foi convocado para o exército, designado para ser enfermeiro, afim de cuidar de soldados doentes ou feridos no Hospital do Exército em Hiroshima. Logo após sua partida, a mãe de Sadako chamou parentes para ajudá-la a manter a Barbearia.
Em 6 de agosto de 1945, surge a primeira bomba em Hiroshima. Era uma manhã quente de verão e os aviões americanos sobrevoavam a cidade. Repentinamente, sirenes soaram para que as pessoas fugissem e se protegessem. Nesse dia, Sadako estava tomando café da manhã com sua mãe, avó e seu irmão, Masahiro, quando foram surpreendidos por um clarão ofuscante seguido de uma explosão estrondosa.
As paredes da casa caíram. Sadako e os outros foram jogados ao chão. Masahiro e a avó ficaram feridos, mas, por um milagre, a menina e sua mãe saíram ilesas. De alguma forma, todos escaparam com vida e fugiram em direção ao rio. Ao longo do caminho, a avó de Sadako retornou para pegar algo na casa. A partir desse momento, ela não foi vista por mais ninguém.
Os incêndios foram acendendo aqui e ali. Alguém ajudou a família, colocando-os em um bote para salvá-los do fogo. Enquanto estavam no barco, a chuva começou a cair, deixando manchas negras sobre a roupa de Sadako. O desespero era tão grande que as pessoas bebiam a água negra da chuva.
Apesar de ser uma sobrevivente da bomba atômica, Sadako era uma criança cheia de energia, saudável, que nunca perdeu um dia na escola primária. Ela era educada e cuidava dos seus irmãos com muita ternura. Adorava cantar e praticar esportes.
Com o fim da guerra, gradualmente os edifícios foram construídos e as pessoas voltaram para a cidade onde o rumor se espalhou de que "nada vai crescer por 75 anos". A família Sasaki reabriu a Barbearia no centro de Hiroshima.
Logo, Mitsue, sua irmã mais nova nasceu. Quando Sadako entrou para o Ensino Médio, seu irmão mais novo, Eiji, nasceu. A família havia crescido. Com a reabertura da Barbearia, ficou ao cargo de Sadako e seu irmão mais velho, Masahiro, cuidarem dos mais novos e manter a casa limpa.
Na escola, Sadako, que era uma ótima aluna, passou a se destacar também nas corridas de revezamento com bastão. Seu grupo não era um dos melhores na modalidade, porém, após muitos treinos, Sadako se tornou a melhor do grupo e graças a sua determinação, seu grupo facilmente ultrapassou todas as classes e conseguiram a vitória.
Sadako (centro) e sua equipe.
Dez anos, após o bombardeio atômico, a vida voltou ao normal para a cidade de Hiroshima e seu povo. No entanto, após vencer o torneio de revezamento do seu grupo, houve sinais de que algo estava errado com Sadako. Ela pegou um resfriado e sentiu uma rigidez no pescoço. Quando o frio foi embora, a rigidez ficou. O inchaço tomou conta do rosto da menina.
Ao passar por vários exames, o médico afirmou que Sadako sofria de Leucemia e que tinha apenas mais um ano de vida. A jovem foi transferida para o Hospital da Cruz Vermelha de Hiroshima. Sabendo da notícia, os amigos da menina, discutiram o que poderiam fazer para ajudá-la. Decidiram, então visitá-la no hospital.
Cerca de cinco meses depois de Sadako ser hospitalizada, sua companheira de quarto, com cinco anos de idade, faleceu da mesma doença no hospital. " Eu me pergunto se vou morrer assim", disse Sadako comovida. Só então, ela se deu conta da gravidade da doença. Aos 12 anos, a menina lutava contra o terror da morte.
Cerca de mil origamis de papel, feitos por estudantes do Ensino Médio de Nagoya, foram entregues aos pacientes no hospital. O quarto da jovem também foi abrilhantado por centenas de dobraduras de celofane em muitas cores.
Foi assim que ela ouviu a lenda: "Se fizer mil tsurus de papel, seu desejo se tornará realidade". A menina encheu-se de esperanças e a cada um que ficava pronto, ela dizia a si mesmo:
" Eu escreverei paz em suas asas e você voará pelo mundo inteiro"
Sadako nunca falou sobre sua dor ou sofrimento. Ela simplesmente deixou suas orações para os origamis. Apesar de seus esforços, a doença progrediu. Sem perder as esperanças, a menina continuou a dobrar tsurus com fervor de sobreviver.
Infelizmente, enfraquecida, ela não conseguiu dobrar os mil tsurus. Em 25 de outubro de 1955, Sadako fez seu último tsuru e dormiu placidamente. Foi exatamente um ano depois que ela havia vencido a corrida de revezamento. Seus colegas dobraram os pássaros que faltavam para que fossem enterrados junto dela..
Logo após a morte de Sadako, seus colegas sentiram uma sensação dolorosa em seus corações por não terem sido capazes de fazer nada para impedir a morte da menina. Diante disso, muitas ideias surgiram para fazer algo por ela.
" Podemos construir um túmulo para ela? Se for perto, podemos visitá-la todos os dias"
Outra sugestão foi:
" E se fizermos um Monumento no Memorial Parque da Paz? Não apenas para Sadako, mas para todas as crianças vitímas da bomba atômica.
" Mas, será que conseguiremos algo assim"
Nota-se a preocupação dos colegas em querer homenageá-la. Entretanto, foram essas emoções que moveram o grupo a tomar uma atitude.
Os amigos de Sadako começaram um movimento para levantar fundos para o monumento. O apelo rendeu frutos que ninguém esperava. Mais de 3000 escolas por todo o Japão enviaram dinheiro e cartas, dizendo: " Por favor, use isso para ajudar a construir o monumento".
Em janeiro de 1957, ficou oficialmente decidido a construção do Monumento da Paz às crianças, no Parque Memorial da Paz, localizado no centro de Hiroshima.
A estátua de bronze possui nove metros e tem a figura de uma menina segurando um tsuru enorme de papel. A estátua foi concluída no dia 05 de maio de 1958 (data em que se comemora o Dia das Crianças).
A inscrição gravana na pedra em frente ao monumento, diz:
"Este é o nosso grito
Esta é a nossa oração
Para a construção da paz no mundo"
Embora não tenha conseguido salvar sua própria vida com os mil tsurus de papel, sua história pode salvar ainda milhões de pessoas ao redor do mundo. Seus pássaros levantaram voo de outra forma, servindo como símbolo do crescente movimento pela paz na terra.
Para quem se interessar, segue abaixo uma pequena animação feita com a história de Sadako e os 1000 tsurus:
Fonte: Japão Em Foco







Nenhum comentário:
Postar um comentário